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O som das letras
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Textos. Apenas textos escritos por mim e por música. A música das letras. Comments: Quarta-feira, Agosto 29, 2007 CRIANÇA Perguntei a minha mãe um dia se por um acaso eu poderia escrever um poema por dia Ela me disse “claro, sem problemas” contanto que eu arrumasse o quarto e resolvesse alguns teoremas. Perguntei então ao meu pai se eu poderia escrever mesmo um poema por dia Ele me disse “filho, vai fundo” contanto que fale de tudo, de Deus e o mundo. Resolvi perguntar então em oração se eu realmente poderia por audácia ou vontade escrever um poema por dia Lá de cima Ele me disse “sim e não” desde que o sim viesse sempre do coração. postado por: HENRIQUE ROJAS 9:31 AM Comments: Terça-feira, Agosto 28, 2007 (DES)ENCONTROS Trombaram como dois trens desgovernados e, no entanto, entre livros e pastas caídas, só conseguiam sorrir. Ele agachado se desculpando pela pressa, por não olhar pra frente, por estar atrasado. Ela por ser distraída, por viver no mundo da lua, por estar correndo pra aula. Ele sorrindo desajeitado, nervoso, apressado. Ela envergonhada, calma, leve. Ele levantando rapidamente, com a gravata torta e o paletó amassado. Ela mais cadenciada, observando os outros passantes, com a blusa amarrotada e a calça suja de café. Ele se despedindo como quem voltaria para o jantar, ágil e truculento. Ela com um abano de mão suave, expressão harmônica, olhar maternal. Ele se virou e foi. Ela ousou erguer a voz. Ele parou, suando frio. Ela sorriu e perguntou seu nome. Walter. Ana. Vai fazer alguma coisa na sexta? Não... Cinema? Comédia. Às 19h? Aqui neste mesmo lugar. Combinado. postado por: HENRIQUE ROJAS 11:06 AM Comments: Segunda-feira, Agosto 27, 2007 A REAL O problema de não ter o céu é ver desaparecer a graça do mar. postado por: HENRIQUE ROJAS 3:04 PM Comments: EXPLICAÇÃO Explicar o quê? Que quando olho para ela sinto paz e alegria como há muito não sentia? Explicar que seus olhos têm a cor e a serenidade que a vida deveria ter? Que seu humor é tão afiado quanto leve e saboroso? Que seu sorriso me faz sorrir sem mesmo saber o porquê? Ou que sou capaz de fazer coisas impensadas por tanto pensar nela? Explicar o quê? postado por: HENRIQUE ROJAS 10:48 AM Comments: Quinta-feira, Agosto 23, 2007 ERROS Se você nascer de sete meses Se não foi planejado muitas vezes Se deixou o seu pai e desespero Relaxa, ninguém é um erro Se nunca foi bem na escola Se sempre entupia o tubo de cola Se escutava da professora que aquilo era normal, mas que você já era um exagero Relaxa, ninguém é um erro Se gostou da pessoa errada Se falhou com a pessoa amada E mesmo se contou aquele segredo Relaxa, ninguém é um erro E se achar que errou e parar sua busca Pensar que qualquer brilho opaco te ofusca E achar que não tem mesmo jeito Aí, sim, terás nascido um erro postado por: HENRIQUE ROJAS 8:54 AM Comments: Quinta-feira, Agosto 16, 2007 MEDO Não tenho medo de escuro Mas temo que não me enxergues. Não tenho medo de barata Mas temo que me pisoteies. Não temo a chuva forte Mas temo um amor escaldado. Medo do mar também não tenho Mas temo que uma onda te engula. E também não tenho medo da morte Mas temo que não vivas pra mim. postado por: HENRIQUE ROJAS 5:41 PM Comments: Terça-feira, Agosto 07, 2007 AGOSTO Academia. Trabalho. Aula. Academia. Trabalho. Aula. Academia. Trabalho. Trabalho. Trabalho. Aula. Trabalho. Trabalho. Trabalho. Aula. Cerveja. Amigos. Amendoim. Cerveja. Cerveja. Queijinho. Agosto, mês do tremoço. postado por: HENRIQUE ROJAS 6:44 PM Comments: Quinta-feira, Agosto 02, 2007 MÚSICA INVASIVA Você está caminhando calmamente pelas ruas e quando se dá conta percebe que está assoviando uma música. Aquela música. Não é uma música que você gosta, não é de um CD que você sempre ouve, nem toca nas rádios ou baladas que você costuma freqüentar. É apenas uma música, uma canção que você ouviu por aí - num programa de TV, na casa de um amigo, na padaria, no trânsito. É a música invasiva. Ela invade sua cabeça, seu box, sua boca. Geralmente estas singelas canções têm temas populares e/ou refrões repetitivos e de fácil aprendizado. São festas no apê, hits que mandam as pessoas tomarem naquele lugar, refrões em inglês que ninguém sabe traduzir e coisas do gênero. Atualmente, no Brasil, temos duas frentes tão invasivas que já se tornaram categorias oficiais: Latino e Calypso. A frente estrangeira ataca com Avril Lavigne e outros pops do gênero. E não adianta você querer não querer. A música quer e você não tem como impedir. -- Hoje é festa... -- Festa? De quem? -- Não, não. É só uma música. -- Ah... postado por: HENRIQUE ROJAS 11:07 AM
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