O som das letras

Textos. Apenas textos escritos por mim e por música. A música das letras.



Comments: Terça-feira, Maio 30, 2006

HOMENAGENZINHA GAÚCHA

Ronaldinho não joga futebol.
Ronaldinho não dá lançamentos.
Ronaldinho não faz gols.
Ronaldinho não ganha títulos.

Ronaldinho não dribla adversários.
Ronaldinho não faz corta-luz.
Ronaldinho não cobra escanteio.
Ronaldinho não dita jogada ensaiada.

Ele apenas sorri. E, sorrindo, ele brinca de bola, faz passes longos, põe a bola no fundo da rede, levanta taças, desconcerta zagueiros, deixa a redonda passar, coloca a bola na cabeça do amigo, e surpreende quem achava que já tinha visto de tudo.

Ronaldinho, definitivamente, não joga futebol.

postado por: HENRIQUE ROJAS 3:05 PM


Comments: Segunda-feira, Maio 29, 2006

SAUDADES

Sempre dá saudade.

Dá saudade quando você parte, olhando para trás, querendo voltar.
Da saudade quando eu parto, sorrindo falsamente, tentando ocultar.
Coração apertado, nó na garganta, cabeça baixa.
Roupa amassada, cara amassada, peito amassado.

Sempre dá saudade.

Dá saudade na hora, no dia seguinte, e também no outro.
Dá saudade naquela noite, daquela noite, da nossa noite.
As cobertas, o lençol, a pipoca.
As juras, os abraços, os beijos.

Sempre dá saudade.


E hoje é só segunda-feira...

postado por: HENRIQUE ROJAS 2:40 PM


Comments: Terça-feira, Maio 23, 2006

OLHOS

É obvio que as pessoas são imprevisíveis, mas eu não preciso mais olhar para ela para saber que errei. Não preciso que meus olhos passem pelos dela, se tocando e enfrentando, se pegando e estranhando, para saber que acertei.

Depois de um tempo amando e admirando uma pessoa, você começa a imaginar as possíveis reações dela. Sabe se ela vai chorar, se vai sorrir, se vai se zangar, se vai se acalmar... Você não tem aquela certeza, mas você desconfia.

Por isso usa aquela camisa que ela gosta.
Por isso usa aquele perfume que ela ama.
Por isso fala coisas que não devia.
Por isso tem reações que não poderia ter.

Você erra, acerta, cria, recria, muda e não muda.
Você berra, aperta, trilha, partilha, gruda e desgruda.

E o melhor de tudo isso é isso mesmo. É o fato de mudar, se recriar, e ainda sim continuar amando aquela pessoa desmedidamente. Você conhece as qualidades e defeitos, todas as fraquezas, todos os problemas, e nunca, jamais!, pensa em não fitar mais os olhos dela.

Porque dá frio na barriga, porque excita, porque alimenta.
Porque te faz lembrar o quanto você gosta daquele ser.
Porque dá vontade de correr pela rua.
Porque te faz sorrir.

E é por isso que eu continuo olhando nos olhos dela.

postado por: HENRIQUE ROJAS 3:49 PM


Comments: Sexta-feira, Maio 19, 2006

"PÂNICO*"

A coisa ficou feia
Feia e sem solução
Nem a polícia é mais polícia
Tem polícia que é ladrão

É tiro de escopeta
É bala pra todo lado
Miram no peito e na cabeça
O medo é de luxo convidado

Falam muito, agem pouco
E quando agem, agem errado
Ser PM hoje é ser louco
E pior é ser pé-rapado
Que toma tapa e toma soco
Só porque é favelado

Enquanto isso, os enjaulados,
Fingindo que estão presos
Ainda regem os comandados
Ainda agem sem receio

Têm comida e advogado
Celular e regalias
Vêem o sol nascer quadrado
Mas sorriem com sua mais-valia.


* Algumas palavras revoltadas sobre uma baderna que já dura 7 dias e tirou mais de 150 vidas.

postado por: HENRIQUE ROJAS 5:32 PM


Comments: Sexta-feira, Maio 12, 2006

Final.

Uma palavra, cinco letras, duas sílabas.

Tão pouco para quem vê, tão brutal para quem sente na pele.


Fin, the end, chega, acabou, ponto, never more, nunca más.


Tem gente que encara o fim como algo ruim. Aliás, o senso comum encara o fim como algo ruim.

Assim como tem gente que encara o fim como algo bom. Um novo começo.

Eu não. Nem tão ao sul, nem tão ao norte. Nem preto, nem branco.

Para mim, o buraco é mais embaixo. Nem bom, nem ruim: é fim, e basta.

postado por: HENRIQUE ROJAS 11:17 AM



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